domingo, 18 de janeiro de 2009

Conheça o papel da hemoglobina glicada

Também chamada hemoglobina glicosilada ou glico-hemoglobina, ela é conhecida ainda como HbA1c e, mais recentemente, apenas como A1c. Embora seja utilizada desde 1958 como uma ferramenta de diagnóstico na avaliação do controle glicêmico em pacientes diabéticos, a dosagem da A1c passou a ser cada vez mais empregada e aceita pela comunidade científica após 1993, depois de ter sido validada pelos dois estudos clínicos mais importantes sobre a avaliação do impacto do controle glicêmico sobre as complicações crônicas do diabetes: os estudos Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) e o United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS). Hoje, a manutenção do nível de A1c abaixo de 7% é considerada como uma das principais metas no controle do diabetes. Esses dois estudos indicaram que as complicações crônicas começam a se desenvolver quando os níveis de A1c estão situados permanentemente acima de 7%.

domingo, 30 de novembro de 2008

O cuidado com os dentes na diabetes

É comuns nos preocuparmos mais com inflamações e infecções no corpo, e deixarmos a boca em segundo ou terceiro plano. No entanto, é importante destacar que a boca necessita de tanta atenção quanto o resto do organismo. O Dr. Luiz Eduardo Calliari, coordenador do Serviço de Endocrinologia Pediátrica do Hospital São Luiz, explica que quem tem diabetes possui maior risco de desenvolver a doença periodontal (gengivite e periodontite), principalmente pelo aumento da descompensação glicêmica, o que facilita o aparecimento de alterações bucais. A mais freqüente é a gengivite, uma inflamação que acomete a região em torno do dente, podendo em alguns indivíduos levar a processos infecciosos com perda óssea (periodontite) e ocorrer halitose, dor, mobilidade dental e, em casos graves, perda dental.

A Dra. Dóris Rocha Ruiz, professora do Curso de Atualização em Odontopediatria da Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico da Odontologia, da Universidade de São Paulo (FUNDECTO/USP), destaca que no paciente com diabetes mal controlado poderá ocorrer alterações na cavidade oral. Indivíduos mal controlados podem se queixar de diminuição do fluxo salivar, queimação na boca ou língua, podendo haver a manifestação de infecções oportunistas como a Candidíase. “Há evidência científica que existe uma relação entre o diabetes mal controlado e a periodontite. A manifestação e a progressão da periodontite estão relacionadas com a idade, tempo do diabetes, controle glicêmico, suscetibilidade à periodontite e hábitos deletérios, como o fumo. Estes fatores serão agravados quando associados à má higiene oral”, ressalta.

Entretanto, ao procurar um dentista é necessário observar algumas regras importantes: relatar sua condição de saúde, hábitos e medicamentos utilizados, além de ficar o mais tranqüilo possível. “O histórico médico é necessário para o correto planejamento e tratamento odontológico. Na consulta, deve-se avaliar a glicemia capilar, pressão arterial e freqüência cardíaca do paciente. O controle do diabetes favorece o atendimento e o sucesso do tratamento”, afirma a especialista.

O Dr. Calliari orienta, no entanto, evitar procedimentos cirúrgicos no caso de elevação da glicemia, pelo risco de sangramentos e infecções, e pela demora na cicatrização gengival.

Cuidados Extras

Logo que o diabetes for diagnosticado, o paciente deve inserir a odontologia como rotina no tratamento transdisciplinar. Hábitos saudáveis de alimentação e higiene oral, com o uso adequado do fio e escova dental, são as medidas caseiras fundamentais para se manter a saúde oral. “O fato de ter diabetes não significa ter a doença periodontal. Se forem realizadas as medidas preventivas (caseiras e profissionais), não haverá a doença”, afirma a Dra. Dóris.
Segundo a especialista, caso haja a doença periodontal, esta poderá ser mais severa nos pacientes com diabetes mal controlado, devido às alterações das respostas imunológicas frente à infecção. “A resistência à insulina pode desenvolver-se em resposta à infecção bacteriana crônica observada na periodontite, piorando o quadro metabólico do paciente com diabetes”, ressalta.

A Dra. Dóris destaca a importância do atendimento odontológico preventivo em bebês e crianças com diabetes para evitar as complicações orais que poderão ter sua manifestação na fase de adolescente e na vida adulta.

Gestantes com diabetes também devem receber o pré-natal odontológico com atenção especial à sua gengiva. Em pesquisa recente realizada pela Dra. Dóris no Centro de Diabetes da Unifesp, foi encontrada maior prevalência e severidade da doença periodontal em grávidas com diabetes gestacional e diabetes tipo 1 quando comparadas com as gestantes normais.

A nutrição pós-tratamento deve receber atenção. “Cuidado com hipoglicemias durante a consulta ou após procedimentos que impeçam a alimentação. Se for passar muito tempo em jejum após a consulta, considere reduzir a dose de insulina ou de medicação oral para evitar hipoglicemias”, destaca o Dr. Calliari, explicando que normalmente não há perigos de interação medicamentosa, mas alguns tipos de anestesia odontológica contêm vaso constritores, substâncias que podem elevar a glicemia e também interferir na pressão arterial.

“A anestesia local é indicada, o dentista escolherá criteriosamente o tipo de anestésico de acordo com o estado de saúde geral e medicamentos em uso. Por isso, há necessidade de o profissional conhecer o histórico médico do paciente criteriosamente”, diz a Dra. Dóris.

Fique Atento

 

Controle o seu diabetes. Informe ao dentista sobre seus índices glicêmicos e marque uma consulta com seu médico antes do início do tratamento para avaliação da sua condição de saúde;

Em caso de cirurgia, poderá haver mudança na dieta e dosagem de insulina;

Talvez seja uma opção adiar procedimentos não-emergenciais, caso sua dosagem de glicemia esteja com valores muito elevados. Mas lembre-se: discuta com seu dentista sobre as possibilidades e conseqüências dessa decisão;

Faça consultas e reavaliações periódicas, preferencialmente a cada três meses, com seu dentista.

Esse espaço foi feito com muito carinho para te receber !

Sucesso !

Edú Machado
www.semprebonus.com.br

sábado, 13 de setembro de 2008

Curso apresenta informações sobre diabates

O Centro de Diabetes do Hospital Nossa Senhora das Graças promove no dia 9 de agosto, das 8h30 às 12h, em Curitiba, Curso de Educação em Diabetes Mellitus tipos 1 e 2, voltado para pacientes e aberto à comunidade.

O encontro irá abordar informações básicas sobre a doença, importância de controle nos níveis de glicemia, alimentação balanceada, atividade física, entre outros assuntos. O curso é gratuito para paciente mais um acompanhante e as vagas são limitadas. Informações: (41) 3240-6830


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domingo, 18 de maio de 2008

Diabetes tipo 2 em crianças

Estudos em vários países, entre os quais Estados Unidos e Brasil, mostram que o diabetes tipo 2, que geralmente acomete adultos acima dos 40 anos, vem atingindo
um número cada vez maior de crianças e adolescentes.
Segundo o endocrinologista Adolpho Milech, os maus hábitos modernos são os causadores dessa chegada precoce da enfermidade.

"Há milhares de anos, o ser humano primitivo não dispunha da agricultura, era caçador e sobrevivia à escassez de alimento através de mecanismo poupador de energia, que adquiria em forma de gordura. Após as revoluções agrícola, industrial e tecnológica, houve uma mudança na alimentação e o homem foi ficando cada vez mais sedentário. O nômade que comia pouco tornou-se um ser com baixa atividade, ingerindo excesso de calorias. O resultado disso foi a expansão da obesidade e outras disfunções relacionadas a ela, como a hipertensão arterial e o diabetes", explica Dr. Adolpho Milech.

Ele diz ainda que o problema está mais ligado à vida urbana, em que há certo exagero no uso da internet, da TV a cabo, dos joguinhos computadorizados e carência na prática de exercícios físicos. Tudo isso aliado a uma predisposição genética e ao stress.

"Até 1979/80, dividíamos o diabetes do adulto do diabetes infanto-juvenil (correspondente ao que é atualmente o diabetes tipo 1, que necessita de insulina diariamente). Só que com essas modificações na maneira de viver da sociedade, o diabetes tipo 2 (que, a princípio, dispensa a insulina) começou a se antecipar totalmente, chegando à adolescência. Se observarmos boa parte dos jovens de hoje, verificaremos que são estressados, obesos e sedentários. Isso quase não se vê nos que vivem no campo", compara.

Ele faz um alerta para que os pais "fiquem de olho" no adolescente diabético que, embora não seja obeso, esteja controlando a glicemia com dietas ou comprimidos. "Nesse caso, também deve-se verificar, com exames, se não é um diabetes tipo 1, aparecendo numa fase em que a criança ainda tem certa reserva de insulina". De acordo com o endocrinologista, não se usa mais o critério de divisão de idade dos pacientes para definir o tipo do diabetes.

Complicações Antecipadas
O Dr. Milech esclarece que o tipo 2 do adolescente não é diferente do que acomete o adulto. A grande preocupação, no entanto, é que estudos mostraram que alguns fatores estão relacionados com o tempo de evolução da doença. "Quem tiver um diabetes diagnosticado aos 60 anos poderá ter complicações mais tarde. Já se a disfunção se manifestar em quem tem 15, 20 anos, poderá desencadear complicações quando o paciente chegar aos 40", diz.

Como boa parte dos pacientes diabéticos tipo 2 pode levar anos sem sentir nada, a situação fica ainda mais delicada. "Uma pessoa pode estar com a glicose a 130, 140, e fazer exame numa semana em que andou um pouco mais e comeu menos, dando 115 de taxa de glicemia, que é normal. Essa pessoa tem diabetes e não sabe", afirma o médico.

Predisposição Genética
Diferente do tipo 1, em que fatores genéticos e do meio ambiente entram mais ao acaso, o diabetes tipo 2 é marcado por uma predisposição genética. "O fato de alguém ter um tipo imunológico mais associado ao diabetes - que é o caso do tipo 1 - não quer dizer que vá desenvolver a doença. Já quem aparecer com um diabetes tipo 2, com certeza tem uma história hereditária dessa disfunção", ressalta o Dr. Milech.

Segundo o Dr. Jorge Luiz Luescher, médico da Endocrinologia Pediátrica do Instituto de Pediatria e Puericultura Martagão Gesteira-UFRJ, até o início dos anos 90 menos de 4% das crianças ou adolescentes com diabetes eram do tipo 2. "No entanto, pesquisas feitas em 1994, nos EUA, indicaram que 33% dos casos novos na faixa etária entre 10 e 19 anos já eram do tipo 2", informa.

Ele acrescenta que, conforme demonstrou o estudo norte-americano, determinados grupos étnicos, como o afro-americano, o hispano-americano e o americano de origem asiática, são mais suscetíveis ao desenvolvimento do diabetes, podendo chegar a até 45% de casos de tipo 2 em suas crianças e adolescentes.

"No Brasil, cuja população é mestiça, fica mais difícil esse tipo de pesquisa de raças. Mas, no geral, as estatísticas mostram que, no tipo 2, a obesidade é responsável pelo desencadeamento de 85% das histórias dessa disfunção, sendo que cerca de 50 a 80% dos pacientes têm um dos pais na mesma situação (tipo 2) e 74 a 100% são parentes em primeiro ou segundo graus de um diabético tipo 2. Já apenas 5% das crianças com o tipo 1 têm algum familiar com diabetes", esclarece o Dr. Luescher.

Obesidade É Fator de Risco
Sendo a obesidade um dos principais fatores de risco para a antecipação da chegada do diabetes tipo 2, como convencer a criançada a se alimentar bem, comendo frutas e legumes, em vez de ingerir grande quantidade de gordura e calorias? A televisão não dá qualquer ajuda nesse sentido, já que exibe maciçamente anúncios de produtos industrializados, com alto teor de ingredientes que nada contribuem para a saúde dos telespectadores.

O Dr. Luescher diz que isso realmente é um grande problema. "Como pediatra, no dia-a-dia do meu trabalho vejo as mães reclamarem da dificuldade em convencer os filhos a ingerirem alimentos mais saudáveis. Além do mais, a garotada está se exercitando menos, predispondo a insulino-resistência", afirma.
Diante disso, ele faz um alerta dirigido principalmente às famílias que tenham casos de diabetes tipo 2, para que dêem esclarecimentos e cuidem de suas crianças, evitando que elas engordem muito e incentivando-as a praticar exercícios físicos aeróbicos.

O Dr. Milech, por sua vez, acredita que deveria haver um plano do Governo para educar a população, ensinando-a como se alimentar adequadamente e alertando sobre os riscos do sedentarismo.

Ausência de Sintomas
De acordo com o Dr. Luescher, a puberdade também facilita o desenvolvimento de uma síndrome de insulino-resistência, devido ao aumento do GH (hormônio do crescimento). Em crianças que não têm propensão genética, o pâncreas consegue compensar o organismo. Já nos menores obesos e descendentes de pacientes diabéticos tipo 2, é maior a possibilidade de desencadeamento dessa disfunção.

No que diz respeito aos sintomas do diabetes tipo 2, o pediatra assinala que, muitas vezes, o paciente não apresenta nenhum deles. Isso dificulta bastante o diagnóstico, sendo necessário o exame de glicose no sangue em jejum. Para indicar a ausência do diabetes, esse exame não pode dar acima de 125 por duas vezes.

O paciente pode ainda apresentar os mesmos sinais que fazem com que o médico desconfie de diabetes tipo 1, como urina em excesso, muita sede, fome exagerada ou perda de peso.

Outros fatores que ajudam a detectar o diabetes 2 são o colesterol alto, hipertensão arterial, excesso de pêlo, um sinal denominado acantosis nigricans (mancha preta, aveludada, que se apresenta geralmente no pescoço, nas axilas ou na região da virilha). Nas meninas, surge a síndrome de ovário policístico (que pode ser percebido através de alterações menstruais).